Associação Planalto Central

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Testemunho Ministério Carcerário

Liberdade atrás das grades

Igreja Adventista assiste mais de 16 mil detentos do DF por meio de um ministério de reintegração e desenvolvimento social 

As unidades prisionais e carceragens de delegacias somam mais de 773 mil presos em todo o Brasil, de acordo com o Departamento Penitenciário Nacional (Depen), órgão ligado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública. Os detentos que povoam esses ambientes vivem com restrição de liberdade e alguns perdem a esperança sobre um futuro melhor.

Para se aproximar desse público, a Associação Planalto Central (APlaC), sede administrativa da Igreja Adventista para a região de Brasília e Entorno, criou o Ministério Carcerário. A iniciativa atende mais de 16 mil presos. Ao todo, 12 presídios no Distrito Federal e região são contemplados. Semanalmente, 195 capelães atuam nessas unidades e visitam os parentes dos detentos.

Mudanças

“Levamos Jesus para eles. Também preparamos a família para receber o detento quando este ganhar a liberdade, para que encontre um lar diferente, de paz e amor quando retornar para casa”, explica o diretor do Ministério Carcerário, pastor Jeconias Neto.

Diversos voluntários participam das ações. São pastores, capelães, advogados, psicólogos, entre outros. Cada um auxilia de forma específica. Durante as visitas, eles conversam e utilizam histórias da Bíblia para criar momentos de reflexão e mudança na vida dos detentos.

Também são oferecidos projetos de desenvolvimento social, como o Página Virada, que além de ajudar na redução da pena criminal, estimula o hábito de leitura. O coordenador do projeto, Joymir Guimarães, teve sua vida transformada dentro de um presídio por uma ação semelhante. Ele explica que a iniciativa é resultado de uma parceria entre a Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA), o Ministério Público e o Clube do Livro.

O Página Virada tem como objetivo diminuir a ociosidade dos presos, além de trazer novos rumos aos pensamentos por meio da leitura. “Funciona da seguinte maneira: a cada livro lido no período de 30 dias, eles fazem uma redação e precisam tirar, no mínimo, seis pontos. Assim, o preso tem quatro dias remidos de sua pena. Por ano, ele consegue remir, pela leitura, 48 dias”, explica Guimarães.

Contribuição

Segundo dados do Banco de Monitoramento de Prisões, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Brasil ocupa a terceira posição no ranking de maiores populações carcerárias do mundo. Com o crescente aumento de pessoas presas, a religião é usada no processo de ressocialização e redução de taxas de reincidência no crime, a fim de para proporcionar melhor comportamento dos detentos.

O coordenador administrativo do presídio de segurança máxima de Luziânia, em Goiás, Arthur Tabosa, destaca que o projeto desempenha um papel muito importante na reintegração social dos presos. “Percebemos um engajamento interessante em relação à massa carcerária. Notamos que os presos que fazem leitura estão diferentes, mais pacientes e tranquilos. Esse interesse nos deixou surpresos com o que está acontecendo. Vemos que muitos bons frutos serão colhidos disso”, afirma.

TV Novo Tempo nas prisões

O Ministério Carcerário também conseguiu a liberação para que a TV Novo Tempo fosse instalada em seis unidades prisionais de Brasília. Ao todo, 15 mil detentos podem acompanhar diariamente a programação cristã da emissora adventista. A intenção é ampliar essa conquista para os demais presídios.

“O Ministério Carcerário é a Igreja Adventista que acredita que podemos transformar vidas e libertá-las, assim como libertou a minha vida e a de muitas pessoas que um dia passaram pela prisão. A iniciativa nos torna livres não apenas das grades humanas, mas principalmente do pecado. Essa libertação só Cristo pode dar”, conclui Jeconias.