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Quando Deus redireciona: Chamado missionário na aldeia

Nicolle descobriu na Missão Xerente (TO) que Deus transforma frustrações em propósito e decidiu servir e devolver sorrisos e esperança.


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Quando Deus direciona 
Nicolle Gomes
Nicolle durante a Missão Xerente. Foto: Arquivos APlaC

Nicolle Macedo Gomes, natural de Brasília, tem dedicado sua juventude ao serviço missionário, participando de diferentes frentes de voluntariado. Entre as experiências mais marcantes, destacou-se a missão realizada na Aldeia Indígena Xerente, no estado de Tocantins, a qual transformou sua trajetória de vida.

Após concluir o ensino médio em 2024, Nicolle planejava ingressar no projeto Um Ano em Missão. Contudo, contratempos inesperados a impediram de prosseguir com esse propósito. 

No início de 2025, sentiu-se perdida em relação ao futuro. Ingressou em Pedagogia, mas desistiu logo na primeira semana. Tentou Medicina Veterinária, porém ainda não encontrava paz em seu coração. Nicolle acreditava que sua vocação deveria ir além de um curso rentável ou de uma área de afinidade: buscava a direção do Alto para sua vida acadêmica.

Em meio à frustração, acreditava que não teria mais oportunidade de servir em projetos missionários, até que uma amiga lhe enviou, por meio do WhatsApp, informações sobre a Missão Xerente, programada para o período de 1º a 8 de março de 2025. Nicole postergou em aceitar. Achava que a vontade de Deus em sua vida não tinha espaço para missões. Orou, entregou tudo nas mãos de Deus e finalmente aceitou.

Na véspera da viagem, descobriu que os voluntários do Um Ano em Missão estavam servindo no Uruguai — um sonho que sempre acalentou. A princípio, a frustração aumentou. Mas, ao chegar à aldeia karêhu, experimentou a certeza de que os planos de Deus são perfeitos e de que “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus”.

Durante uma semana, conviveu com a etnia Xerente e pôde testemunhar a autenticidade da fé daquele povo. Para os indígenas, a conversão não se resume a formalidades ou rituais, mas a uma verdadeira transformação de vida. Até mesmo as crianças demonstravam profundo respeito na casa de Deus, comportamento que impactou profundamente a jovem missionária.

"Passei uma semana convivendo com pessoas de uma cultura completamente diferente da minha e fiquei encantada pela maneira como eles enxergam Deus. A conversão para o indígena Xerente é muito forte. Vai muito além de hinos decorados, roupas formais ou meramente um rótulo. Quando um indígena aceita o evangelho, há mudança verdadeira de vida. Eles enxergam Jesus como O Salvador que ele, de fato, é. Eles – e até mesmo as crianças – possuem um respeito exemplar na casa de Deus, eles se comportam como todo cristão deveria se comportar no templo. Não foi somente um evento que me marcou, mas a percepção, formada por detalhes diários, de que só há um Deus e que todas, todas, as culturas podem adorá-Lo". 

Ali, Nicolle conheceu Gilvan e Iracy, missionários que há anos servem entre os Xerente. Segundo eles, apesar das dificuldades, a receptividade ao evangelho é notável. A jovem também percebeu o quanto ainda existem preconceitos e estereótipos em relação aos povos indígenas, mas conviver com eles mostrou a beleza de sua organização, respeito e acolhimento.

Nicolle integrou o Instituto Viva Sorrindo, formado em sua maioria por dentistas, e participou de um grupo que unia três frentes: atendimento odontológico, construção de uma igreja e atividades com crianças no qual ela atuava, também atuou na Escola Cristã de Férias Adaptada, organizando momentos de recreação, aprendizado bíblico e interação cultural. 

A semana se desenvolveu com a parte da manhã sendo de atividades da escola cristã de férias e a tarde atividades diversas, como penteados para as meninas, confecção de pipas para os meninos, pintura de rosto, entre outros.

Foi uma experiência pessoal tão marcante que a fez mudar de curso na faculdade. 

Durante essa missão foi que recebeu uma resposta clara de Deus: sua vocação estava na Odontologia. Ao presenciar os dentistas devolvendo sorrisos e aliviando dores, compreendeu que esse seria o instrumento pelo qual poderia servir ao próximo em amor e fidelidade a Cristo. Assim, deixou Medicina Veterinária e ao voltar para casa iniciou o curso de Odontologia com um único objetivo: "servir ao próximo com amor e por amor ao meu Mestre". 

Para Nicolle, a missão foi também uma escola espiritual. Aprendeu que o voluntariado não é via de mão única, mas um processo em que quem serve também é transformado. “Enquanto amamos, somos amados; enquanto servimos, somos servidos; enquanto falamos de Jesus, conhecemos mais dele”, testemunha.

"Sair da bolha do dia a dia me mostrou a grandiosidade e o cuidado de Deus. Nós criamos um relacionamento muito mais íntimo com o Criador dentro do serviço voluntário. Eu compreendi, na prática, o que João Batista quis expressar quando disse: "Eu vi o Cordeiro de Deus, no qual eu não sou digno de desatar as correias de suas sandálias". Em viver o evangelho na prática, eu vi Jesus; Em abraçar o meu irmão, eu vi Jesus; Em distribuir sorrisos, eu vi Jesus; Em servir, eu vi Jesus. E, principalmente, em amar, eu vi Jesus”.

Depois desse acontecimento, Nicolle participou de mais dois projetos voluntários, onde um deles foi o retorno à aldeia Karêhu. 

"Se Deus assim permitir, pretendo participar de todos os quais Ele me enviar".

Com entusiasmo e entrega, Nicolle segue disponível para que Deus a conduza em cada nova missão. Seu testemunho inspira outros jovens a confiarem inteiramente no Senhor, lembrando sempre da promessa: 

“O Senhor é quem vai adiante de ti; Ele será contigo, não te deixará, nem te desamparará; não temas, nem te atemorizes” (Deuteronômio 31:8).

Colaboração: Hodry Rodriguez