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Das Filipinas ao campo missionário

Em meio a desafios de saúde, choque cultural e relacionamentos transformadores, Melanie entendeu que sua missão é construir confiança, seguir a voz de Deus e ir aonde Ele mandar.


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Das Filipinas ao campo missionário - Melanie
Melanie Villanueva, das Filipinas ao campo missionário. Foto: Arquivos AplaC

Melanie Villanueva nasceu nas Filipinas, na região de Visayas, uma bela área campestre cercada por montanhas na parte central do país. Ela é parteira e assistente social. Seu pai vinha de uma família adventista, enquanto a família de sua mãe seguia outra denominação religiosa. Essa diferença de crenças, durante a infância, gerou nela certa confusão. No entanto, aos 10 anos, Melanie decidiu entregar a vida a Cristo por meio do batismo na Igreja Adventista do Sétimo Dia.

Aos 12 anos, Melanie conheceu missionários do "Movimento dos 1000 Missionários", designados para o distrito onde morava. Ela se sentiu profundamente inspirada pela forma como eles ensinavam cânticos e histórias às crianças e, naquele momento, confirmou em seu coração o desejo de se tornar missionária após concluir a faculdade. Contudo, esse sonho precisou ser adiado: era necessário trabalhar para ajudar no sustento dos irmãos, para que também pudessem ingressar na universidade, enquanto ela seguia com a segunda graduação em Serviço Social.

Melanie serviu como missionária em Mindanao (a segunda maior ilha do arquipélago das Filipinas) de março de 2018 até fevereiro de 2019. Ao concluir seu período de serviço, retornou à cidade natal para continuar a carreira. Sem que ela soubesse, seus companheiros de missão haviam repassado seu e-mail ao coordenador do SVA da Divisão Sul-Asiática do Pacífico (SSD), durante uma visita. Mais tarde, eles contaram que havia uma necessidade urgente de um(a) professor(a) de inglês e de música em Jacarta, Indonésia.

Alguns dias depois, Melanie recebeu um e-mail do coordenador do SVA e foi agendada uma entrevista. Contudo, algo aconteceu e ela não pôde prosseguir com aquela chamada. Pela providência de Deus, em vez de ir para a Indonésia, ela foi enviada para servir no Vietnã, onde atuou por cinco anos, de outubro de 2019 até maio de 2025, inclusive durante a pandemia de COVID-19.

O tempo no Vietnã foi uma grande bênção. Além de ensinar inglês, Melanie teve o privilégio de servir à igreja como diaconisa, secretária, membro da comissão da igreja e líder do Ministério Infantil. Uma de suas maiores alegrias foi coordenar o Clube de Aventureiros, que recebia não apenas crianças da igreja, mas também filhos de famílias não cristãs.

Uma experiência memorável aconteceu com uma de suas alunas de inglês na escola de idiomas do Centro de Influência. A família da jovem não era cristã, mas, graças ao bom relacionamento construído, os pais permitiram que ela e a irmã mais nova participassem regularmente do Clube de Aventureiros e de alguns programas especiais da igreja. Certa vez, quando um caminhão pegou fogo em frente ao centro, Melanie e sua aluna oraram juntas para que o incêndio fosse controlado e ninguém se ferisse. Para Melanie, a disposição daquela jovem em orar e reconhecer o poder de Deus foi um sinal claro de que o Espírito Santo estava atuando na vida dela e de sua família.

Entretanto, viver em Hanói (capital do Vietnã) foi desafiador. A qualidade do ar raramente era boa, e Melanie desenvolveu uma doença autoimune que afeta seu sistema digestivo e sua tireoide. Ela adoecia com frequência e, em algumas ocasiões, precisou ser hospitalizada. Ainda assim, Deus transformou sua fraqueza em oportunidade para construir amizades. Melanie desenvolveu um relacionamento próximo com seu médico, que não era cristão, embora sua esposa fosse católica. Ela lhe presenteou com alguns livros adventistas, que ele leu atentamente. O médico a encorajava, dizendo que a missão dele era ajudá-la a cumprir a dela no Vietnã. Além disso, Melanie também compartilhou livros adventistas com outros médicos, como forma de agradecimento pela ajuda recebida.

“Viver no Vietnã me ensinou paciência e a importância de construir confiança. Antes de poder compartilhar abertamente sobre Deus, eu precisava primeiro desenvolver relacionamentos genuínos. Esse processo me ajudou a crescer em humildade e perseverança.”

Tudo o que Melanie realizou no campo missionário aconteceu por meio do trabalho em equipe com outros missionários e membros da igreja. Uma história especial envolve uma amiga vietnamita que ela conheceu durante a pandemia, em 2022. Com amigos filipinos, Melanie ajudou a organizar encontros via Zoom para discutir temas da vida à luz de versículos bíblicos. Antes de retornar às Filipinas, ela visitou a casa dessa amiga e presenteou-a com uma Bíblia. Mantiveram contato enquanto Melanie esteve fora. Quando voltou a Hanói, convidou a amiga e sua filha para sessões de contação de histórias em inglês, onde também conheceram outros missionários. Depois, passaram a participar de programas da igreja e, em 2024, a amiga foi batizada.

Em janeiro de 2025, Melanie começou a buscar outros países onde pudesse atuar como voluntária por meio do site VividFaith. Ela se candidatou a diversas vagas, mas as solicitações foram recusadas. Mesmo assim, sabia que precisava deixar o Vietnã para encontrar um lugar com ar mais limpo, onde pudesse se restabelecer e, ao mesmo tempo, servir em harmonia com sua profissão.

Então, em março, o pastor Joni Oliveira publicou em seu grupo de mensagens que a Associação Planalto Central (APlaC), em Brasília (Brasil), estava em busca de um(a) professor(a) de inglês para capacitar obreiros e missionários. Melanie foi profundamente tocada ao pensar que, ao ajudar missionários e obreiros a aperfeiçoarem o inglês, eles poderiam servir em outros países e compartilhar Jesus de maneira mais eficaz. Com esse propósito, ela enviou sua candidatura para o Brasil e, pela graça de Deus, foi aprovada na entrevista, chegando ao país em maio de 2025.

Deixar o Vietnã não foi fácil. Melanie havia construído amizades profundas com locais e estrangeiros, e a igreja ali ainda necessitava de mais trabalhadores para a seara. Ainda assim, ela se sentiu abençoada por finalmente estar no Brasil.

Melanie também vivenciou choque cultural tanto no Vietnã quanto no Brasil. No Vietnã, surpreendeu-se com a forma intensa como as pessoas prestavam culto aos antepassados falecidos, chegando a colocar alimentos em altares domésticos antes de se alimentarem. Já no Brasil, sua surpresa foi com a prática de realizar cultos aos domingos à noite, pois estava mais acostumada a encontros de oração às quartas e sextas-feiras, além do sábado. Essas diferenças a desafiaram, mas também lhe ensinaram a valorizar a diversidade cultural.

Ao refletir sobre essa trajetória, Melanie reconhece que o serviço missionário transformou tanto seu caráter quanto seu relacionamento com Deus: “Aprendi que, por menores que possam parecer os nossos esforços, eles têm valor em Sua obra. A missão me ensinou a permanecer humilde, a depender de Deus diariamente e a nunca me esquecer de que Ele é o meu verdadeiro companheiro. Fazer parte de Sua missão é, ao mesmo tempo, uma responsabilidade e um grande privilégio.”

Por meio de todas essas experiências, Melanie continua sentindo-se chamada a servir onde quer que Deus a conduza, seja em seu país ou no exterior. Seu desejo é dedicar-se como missionária de carreira. Sua força e coragem vêm de seu versículo bíblico favorito, Filipenses 4:13: “Posso todas as coisas naquele que me fortalece.”

Colaboração: Hodry Rodriguez